Já está mais do que na hora do desenhista parar de agir como um nerd acéfalo que conjectura em sua mente mudar o mundo com seus desenhos. Não vai. Simplesmente porque o mundo é um oceano que tem suas próprias regras. A arte está em saber surfar nessa ondas gigantescas. A maioria das pessoas – e insira nisso, as empresas – tem uma visão de menosprezo quando se trata de desenho, e a culpa é do próprio desenhista. A idéia quixotesca do desenhista que deseja se profissionalizar, botar a prancheta debaixo do braço e sair por aí com a cabeça mergulhada num mundo de fantasia vislumbrando super-heróis em todos os lugares estimando que o mundo inteiro o respeitará pura e simplesmente pelo seu talento é infeliz e egocêntrica. Não é o espírito empreendedor que o move, mas sim sua monstruosa vaidade. Ninguém – nem eu – aceitaria negociar com alguém que não está vivendo a realidade, que o tempo todo fala somente de desenho e o que aconteceu “na página 3 da edição 45 do Zé Aranha”. Ser um profissional em qualquer área obriga que a pessoa saiba dominar seu ofício e saber vendê-lo.
As pessoas/organizações têm a visão do desenhista como imaturo por ele próprio não saber/querer se impor. A maioria dos desenhistas trabalha pelo simples prazer da coisa, e é aí que as pessoas se aproveitam, dando a falsa impressão de que estão fazendo um favor deixando o artista publicar no seu almejado mercado. Muitos desenhistas até pagariam para desenhar em determinados lugares. MAS NÃO É ASSIM QUE TEM QUE SER. Se você quer ser profissional, assuma tal postura, informe-se sobre leis, empresas, administração profissional, negociação de vendas, contratos de direitos autorais, etc. “Ah, é chato...” Claro que é, mas tudo isso é um pacote completo de vida, pois TODAS as áreas são assim, e desenho não será diferente.
Não me refiro a deixar de gostar do que faz, não, é simplesmente se fortalecer e conseguir seus objetivos mais rápido, ou, pelo menos, se manter na área, deixando de ser um mero “desenheiro” que trabalha romanticamente em nome da arte e por amendoins na praça. Se você quer isso pra você e se sente realizado, tudo bem, sem problemas, curta mesmo. Agora, se você quer outra forma em que seja respeitado pelo que ama fazer e ganhar com isso a ponto de se manter e até mais, o caminho é outro. Uma coisa é você gostar de desenhar e ter isso como hobby, como diversão pessoal... outra, é você querer ser um PROFISSIONAL e manter na sua cabeça uma “fortaleza da solidão” onde, dentro de um mundo irreal, você se aliena com medo de enfrentar o mundo e se bancar por si próprio. Por isso, se as coisas derem errado, não culpe ninguém, ou escola, ou estúdio, ou mercado, ou o que for. Você é responsável pelos seus atos e conseqüências... ah, sim, não culpe sua religião. Se não gosta dela, por que continua? É fácil culpar as coisas.
Faça uma reflexão das coisas que deram errado na sua vida, qual foi o momento crucial que desencadeou o pepino? Será que você não fez algo, por menor que seja, para provocar a situação? Mas não se julgue por isso, aprenda com o erro e torne-se mais forte, lembre-se de que ninguém nasce sabendo, aprenda a não errar mais. Amadureça, assuma suas responsabilidade e se banque. A vida é assim. Eu sei disso porque também faço minhas asneiras e até aprendo com isso. Aprendi a reconhecer o próprio valor e potencial... posso não ter a habilidade que almejo, mas estou no caminho, treinando todo dia. E sei que é barra manter essa imagem de valor e tudo mais quando se está apertado e qualquer coisa ajuda a pagar as contas... Ô, se sei. Mas o prejudicial é persistir dentro do aperto com o contentamento das migalhas; procure mudar isso querendo realmente MAIS.
Dá medo de mudar, mas é assim mesmo, apesar dos tombos. Mas, se não mudar, por favor, não culpe ninguém. E, depois que eu aprendi que desenho é muito mais do que aparentava ser, é que eu me apaixonei em definitivo por isso, pois é uma atividade que engloba tudo, e onde eu cresço como ser humano procurando me aprimorar cada vez mais, amadurecendo e, é claro... me divertindo!
Forte abraço!



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